quinta, 15 outubro 2015 16:12

As Irmandades da Fala e o conceito de lusofonia

Ângelo Cristóvão

Secretário da Associação de Amizade Galiza-Portugal

Janeiro de 2004

 

Recentemente publicou-se na internet a página web das Irmandades da Fala da Galiza e Portugal (IFGP) no endereço www.lusografia.org/ifgp, página onde está também a web da Associação de Amizade Galiza-Portugal. A IFGP está registada e legalizada no Reino da Espanha (1981) e na República Portuguesa (1991).

Das suas atividades salientamos a organização de congressos de língua, literatura e culturas lusófonas; a publicação de revistas (Nós, Cadernos do Povo, Temas de O Ensino e O Ensino) e livros de diversos temas (ensaio, poesia, teatro...).

Uma das suas atividades é a edição de livros e revistas. Durante os últimos 20 anos foi capaz de produzir mais de 60 títulos que acreditam a sua constância, dão fé da sua aportaçao à república das letras em português e demonstra a vontade da Galiza de fazer parte dessa comunidade que chamamos lusofonia. Presentemente esta associação está integrada por personalidades de diversos países, não sendo estritamente galega mas lusófona.

Foram também as Irmandades da Fala uma das primeiras entidades a empregar coerentemente o conceito de lusofonia, hoje de uso corrente. Foi no Encontro de 1988 em Madrid, com presença de intervenientes de todos os países lusófonos, na sa do Brasil e com presença do embaixador deste país.

 

Outro aspeto relevante a comentar é o facto de ter sido a principal associação promotora da participação galega nos Acordos Ortográficos de 1986 (Rio de Janeiro) e 1990 (Lisboa) através da Comissão Galega do Acordo Ortográfico. Sabemos que esta participaçao foi contestada por inteletuais como Vasco Graça Moura (In: Novo Acordo Ortográfico: afinal, o que vai mudar?). Mas negar a língua portuguesa à Galiza é negá-la a uma parte substancial da velha Gallaecia, onde nasceu a língua.

 

Uma forma de defender a língua é promover a unidade da escrita. E esta é uma caraterística dos lusófonos galegos: a defesa da unidade ortográfica faz parte do discurso da necessidade, enquanto se admitem os regionalismos léxicos, que enriquecem o conjunto do léxico português.

O Acordo Ortográfico de 1990 ficou in suspenso, não foi vigorado. Infelizmente há uma tradição portuguesa de intervenção política nos assuntos da norma linguística, o que tem vindo a prejudicar a autoridade das Academias. Tenho para mim que esta intervenção tem sido prejudicial e, no futuro, deveria situar-se no plano estritamente académico, como acontede no caso do espanhol. Melhor seria aos linguistas fazer o seu trabalho e manter os políticos longe destas questões. Um acordo ortográfico, por mínimo que seja, só pode ter consequências beneficiosas para todos. Esta foi e será a linha defendida pelas Irmandades da Fala e outras associações lusófonas da Galiza.

 

Poucas entidades públicas e/ou privadas podem apresentar este currículo tão valioso. Por todos os motivos expostos parece conveniente conhecer o que têm feito e atender ao que podem fazer no futuro. O endereço para contactos é: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.