![]() |
V COLÓQUIO ANUAL DA LUSOFONIA Bragança, 2-4 de Outubro de 2006
José Martinho Montero Santalha:
Um novo repto: a «Academia Galega da Língua Portuguesa» |
|
|
TRANSCRIÇÃO
(PARCIAL) DA PALESTRA EXPOSIÇÃO
DE MOTIVOS PARA A CRIAÇÃO DA «ACADEMIA GALEGA DA LÍNGUA
PORTUGUESA - AGLP» Defendidos
por Martinho Montero Santalha na palestra da sua comunicação
«Um novo repto: a Academia Galega da Língua Portuguesa», o
4 de Outubro de 2006 no V Colóquio da Lusofonia. Bragança. (Nota
de Ângelo Cristóvão: o seguinte texto é uma transcrição
do som da palestra e do debate posterior, começando no minuto 22:50 até
ao final. Ao transcrever tentei reproduzir fielmente os argumentos dos
intervenientes em frases gramaticalmente válidas, eliminando as repetições
desnecessárias. Os castelhanismos foram substituídos por palavras
equivalentes no português padrão europeu. A fraca qualidade
do som de Freixeiro Mato e de Gonçáles Blasco faz difícil a
interpretação de algumas frases. Esta não pretende ser
uma transcrição literal nem completa. A gravação
original foi realizada por
Luís Fontenla: muito obrigado). O
arquivo de som editado pode ouvir-se ou descarregar-se no seguinte
endereço da internet: http://www.udc.es/dep/lx/cac/vo/20061004L01 MARTINHO
MONTERO (Começa
a exposição de motivos no minuto 22:50 da sua palestra): «A ideia que pretendo defender aqui é que é necessário criar uma Academia Galega da Língua Portuguesa, por vários motivos. Existe actualmente, para os que defendemos que a Galiza é um país lusófono, faz parte do mundo lusófono, uma Real Academia Galega que se preocupa dos assuntos da língua, que sim defendia originariamente a unidade lusófona, como vimos antes, na exposição do professor António Gil. Os primeiros discursos, mesmo as primeiras normas que teve, mesmo as penúltimas normas, do ano 1970, eram umas normas claramente reintegracionistas. Há que ter em conta, por exemplo, algo introduzido pola terminação –ais, que tem uma representação minúscula na Galiza como elemento da língua falada, e é algo hoje estabelecido e que só se devia ao facto de ser a forma escrita na língua portuguesa. De modo que a ideia da Academia Galega, mesmo com discrepâncias internas, por vezes, era maioritarmanente, com em geral como a cultura galega, uma ideia de carácter reintegracionista. Porém nos últimos anos a situação mudou bastante. Apesar da última reforma em que se aproximou do português, – e aqui temos algum dos representantes, que trabalharam aí muito meritoriamente – os mesmos académicos, quando apresentaram esta reforma, já diziam “que fique claro que o galego é uma língua independente, portanto, não é português”. Isto significa que não temos esperança de que a R. A. G. mude, de momento. Todos os académicos estão mais ou menos contra essa ideia [a unidade da língua]. De modo que devemos abrir caminho, com o fim de que a Galiza possa ser tida em conta no mundo lusófono. A
Comunidade de Países de Língua Portuguesa que hoje existe, se quer ligar para
alguém na Galiza, para quem há-de ligar, se quer chamar algum representante da
Galiza? Há um movimento reintegracionista que produz cousas, trabalha, etc.,
mas teria que chamar alguma instituição um pouquinho mais solene. Por
isso creio necessário que se constitua este tipo de instituição, a
Academia Galega da Língua Portuguesa. A
CPLP foi constituída por governos. No nosso caso não podemos esperar que
o Governo Galego mude, de momento, esta situação. Poderá ser com o
tempo. De modo que todo o tempo que passar sem que exista uma instituição
deste tipo joga não só contra a nossa ideia da língua, mas da nossa
mesma língua, como sabemos, porque, pretender que o galego vai sobreviver como
língua independente –não sei se acreditam nisto os académicos [da
R.A.G.], que podem duvidar ainda- mas muitos estamos convencidos de que isso é
um erro e um disparate que, no século XXI não tem a menor probabilidade
de ir para a frente. Naturalmente,
existirão obstáculos para uma iniciativa deste tipo. Em primeiro lugar,
de tipo legal. Provavelmente a R. A. G. sentirá que lhe vão ocupar um
pouco de espaço simbólico. Acho que as cousas podem levar-se bem, com
respeito, sem agressividade, simplesmente como fruto de duas concepções
da língua distintas, que existem e não podemos evitar. Outros
obstáculos serão, seguramente, os tiveram todas as academias quando se
formaram. De certeza haverá diferenças entre os possíveis membros, pode haver
pequenos rancores... enfim, isso houve em todas as academias, quando se observa
a história, logo se vê que existiram e são cousas mais ou menos
inevitáveis mas, se não afrontarmos este risco, nada se fará. O
que sim se necessitaria é uma sede na Galiza, evidentemente. Então
haveria que buscar um edifício, alguma instituição pública, algum
concelho. O ideal seria Santiago, ou bem alguma das outras cidades
–estou falando um pouco como promotor da ideia, porque eu aguardei
durante estes anos a que alguém se animasse a promovê-la , mas vejo que o
tempo passa e não queria morrer antes que isto fosse para a
frente–. Então uma sede seria necessária, um edifício onde poder
ter um domicílio estável. Depois seria também necessário – e isto hoje
seria mais fácil – constituir um Boletim ou Órgão em que se
publiquem as cousas da Academia. Estas seriam as ideias para constituir uma
Academia Galega da Língua Portuguesa. Além
disto, estes anos tivemos um elemento que também atrasou um pouquinho a ideia
– penso eu – e é o facto de, dentro do mesmo movimento
reintegracionista ter havido certas disputas por motivo da normativa [linguística].
Penso que, pouco e pouco, esse tema vai tratando-se com menos agressividade e
menos rigidez, e acho que por esse caminho não há grande dificuldade.
Está claro que todos defendemos a unidade lusófona da nossa língua, e o facto
de que defender algumas características um pouco diferentes é sempre
acidental, e não há que perder de vista esta característica: que é uma
cousa acidental. O ideal é a comunidade. Com
isto cumpriu-se o meu tempo. Obrigado. ::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::: COMEÇA
O DEBATE Alexandre
Banhos: A
questão que queria pôr a Martinho é que cingiu muito o seu relato
às instituições que têm o nome de ‘Academia’. O
Institut
d’Estudis Catalans é uma verdadeira academia, mas não se chama
dessa forma. Entre outros aspectos importantes tem o normativo, etc., para todo
o âmbito da língua catalã. Na Galiza temos uma instituição que
é a Comissom Lingüística da AGAL. Poderia ser esse o elemento fulcral
para constituir a Academia? Não serviria? Resposta
de Martinho Montero: Bom,
com efeito, sobre o Institut, mesmo na Catalunha, quando se fez o Instituto
de Estudos Catalães tentou-se conscientemente evitar o nome de
Academia, para evitar a ideia de uma rigidez que fosse um pouco violenta para a
língua. De todos modos, acho que foi um erro, e acho que mui tos catalães
hoje também o reconhecem. Criou-se uma Academia –e não falei
dela– a Academia Valenciana. Se houvesse existido uma academia
catalã já não se teria criado esta ou, talvez sim,
– aí têm um problema de identidade linguística. O Instituto
da Lingua Galega imita o Institut d’Estudis Catalans,
aproveitando que nas universidades se pode criar este tipo de instituições.
Penso que nós não temos hoje mais possibilidades de escolha. Não
podemos criar um instituto... [Alexandre
Banhos intervém: Refiro-me à Comissom Lingüística da AGAL] Sim,
a AGAL é outro aspecto. O primeiro é o do Instituto. Quanto à AGAL, com
efeito, existe uma Comissom Linguística da qual também eu sou membro, e
dentro dela temos falado também disto. Só que há todo um sector dentro do
movimento reintegracionista que não é da AGAL. Então penso que
seria melhor fazer algo que fosse aberta a todo o mundo e da qual, por suposto,
a Comissão Linguística da AGAL pode fazer parte, não há
problema, são poucos membros, e seria mais aberto, melhor aceite pola
gente que não é da AGAL, que não aceita hoje as suas directrizes. António
Gil: A
Academia Valenciana foi criada em grande medida para opor-se ao Institut
d’Estudis Catalans. O que acontece é que em València estiveram
com a pugna da terceira via entre –digamos, para entendermo-nos– a
isolacionista ou blavera e os catalanistas por outro lado. Então
procuraram uma terceira via que é relativamente mais factível do que no caso
da Galiza. A
única diferença é de terminologia e de escolha léxica entre um e outro, mas
curiosamente, os signos gráficos vêm sendo os mesmos ainda que a denominação
era diferente: “LL” era lido como “ele-ele” para os
catalanistas, enquanto para os blaveros era “elhe”, por exemplo. E
no caso do “NY”, era “enhe”,
para os blaveros. É curioso. Historicamente,
há tempo, não sei por que anos, a então presidente
[da AGAL] Maria do Carmo Henríquez encarregou-me que elaborasse uns
estatutos, e eu elaborei uma primeira redacção dos estatutos, que não
sei se foram apresentados como tais para serem legalizados. O que sim sei é que
ela, ou a Directiva ou Conselho da AGAL fizeram um intento de legalização
da denominação, e não sei exactamente que denominação
apresentaram, se era Academia da Língua ... Língua Portuguesa acho que
não. Parece que houve um intervenção do que era Presidente da
RAG, Domingos Garcia-Sabell, para impedir qualquer tipo de legalização,
com o pretexto de que o nome Academia correspondia às academias.
Imediatamente haveria que dizer: então as academias de corte e confecção,
como dizia antes Martinho, não são academias? Levam o mesmo nome. Em
terceiro lugar o que sim é certo é que o Instituto da
Lingua Galega, em origem Instituto de la Lengua Gallega –essa
era a denominação oficial inicial–, foi uma interferência
absoluta contra a [Real] Academia Galega. É curioso o que opinam os
redactores na Enciclopédia Gallega sobre a palavra galego,
naquela altura. Os primeiros redactores estão agora na R.A.G. como
académicos. Curiosamente diziam que a R.A.G. não valia para nada.
Alias, o I.L.G., como instituto universitário, não podia ser
instituto normador, ou seja, uma entidade normadora da língua, mas apenas
investigadora. Essa era a condição dos institutos universitários de então,
e suponho que ainda hoje, como institutos interdepartamentais. Eu já me
desliguei de tudo isso, mas acho que continuam na mesma circunstância. Com o
qual o labor que fizeram com o galego foi ilegal. Com o galego, com os galegos e
dentro do Reino da Espanha. Contudo não só foi permitido, como
também intensificado. Xosé
Ramón Freixeiro Mato: Bem,
suponho que isto terá de ser muito rapidamente porque já imos mal de tempo. Eu
estou um pouco surpreendido pola proposta, porque não a escutara nunca.
Também não ando muito pola internet, é verdade, mas não a
ouvira. Vi-a quando recebi o programa, vi o título e foi quando pola primeira
vez eu tive o título dessa proposta. E vejo algum aspecto negativo. Por outra
parte, falar de uma
Academia Galega da Língua Portuguesa, negaria um pouco, quase de entrada, a
identidade galego-portuguesa. Quer dizer, se à nossa língua, na Galiza,
se lhe chama galego, criarmos uma academia da língua portuguesa seria algo
distinto do galego, portanto defendendo a mesma identidade galego-portuguesa
penso que se pode defender perfeitamente com o nome de galego. Outra cousa
seria, então, que fosse Academia da Língua Galega. Sabedes
que a actual Academia é uma academia galega em geral, sem referência
à língua. Também na intervenção do meu colega Xosé Manuel Sánchez
Rei, como outras que tem publicado neste sentido, demonstra essa identidade
linguística essencial. A nível coloquial e popular demonstra que o galego é o
português da Galiza, o galego também é falado em Portugal, e incide
nessa grande ideia da grande identidade linguística galego-portuguesa. Portanto
penso que também na Galiza não temos que renunciar ao nome histórico de
galego para essa mesma academia. Mas
também, por outra parte, pergunto se não seria ainda possível esperar,
tentar que a actual Academia
Galega vá dando passos e modificando-se, tal como dizia Murguia nos seus
princípios, que fez fé declarada da identidade galego-portuguesa. Eu estudei
algo do que disse aqui António e lembro Martínez Risco, onde ele,
espanhol-falante, sempre que se referia ao tema linguístico, referia-se ao
galego que se falava tanto em Portugal, no Brasil, etc. Sabemos que Carvalho
Calero foi membro da R.A.G., e foi o redactor das primeiras normas que
teve a Real Academia Galega no ano 1970, e que tem a Franco como membro
de honra, ainda. Eu li uma carta de Sarilhe na imprensa em que pedia retirar
Franco da Academia [Martinho: não, não é de número]. Sei que é
difícil, que a R.A.G. cumpra essa função, mas também não
temos na Galiza muitas instituições que tenham um certo peso histórico,
certo prestígio social, etc., e portanto, talvez, eu penso que caberia tentar
influir, reconduzir. Sabemos que é um processo muito lento, muito longo, e
talvez neste momento não seja possível, mas eu só quero ligar a estas
questões. Resposta
de Martinho Montero: Sim,
precisamente por isso. Eu tenho aqui o primeiro artigo em que eu tratei este
assunto. É do ano 1992, em que já tenho uma proposta da Academia Galega da
Língua Portuguesa, de forma que já vão lá mais de 10 anos.
Carvalho Calero morreu no ano 1990. A ideia já a tratei eu com ele, já falei
com ele e penso que já nasceu com ele. Eu não me lembro bem. O
problema do nome da língua. Continuar a falar de galego é um dos
grandes problemas, eu creio que é um dos grandes erros continuar a chamar ao
galego língua galega, porque nada ganhamos com isso e perdemos muitíssimo.
Quer dizer, chamar-lhe galego por que? Por manter o nosso orgulho? Tiveram o
mesmo problema os brasileiros, que utilizaram durante algum tempo no nome língua
nacional, por não chamar-lhe língua portuguesa. Todo o mundo lhe chama língua
portuguesa. Quando Carvalho Calero publicou o seu livro Problemas da Língua
Galega em Portugal, na Editorial Sá da Costa, teve muito pouco êxito
em Portugal. Foi uma grande decepção para o editor, em primeiro lugar.
Então, o mesmo Carvalho Calero se deu conta e comentou-me a mim, então,
que o grande erro fora esse. Se puséssemos Problemas da Língua Portuguesa
na Galiza, em Portugal... Ora, Problemas da Língua Galega, é como
quem diz [para os portugueses] problemas da língua asturiana. A mim quê
me importa! A
palavra tem uma força terrível, quero dizer, as palavras. Então,
chamar-lhe língua galega ao que é língua portuguesa da Galiza para todo o âmbito
lusófono é uma maneira de enganá-los, porque é uma maneira de fazer-lhes ver
que isso não tem nada a ver com eles. Porque não se chama língua
brasileira: chama-se língua portuguesa do Brasil. De modo que esta é uma das
causas... Temos que ter uma instituição que para o resto do mundo lusófono
seja claramente lusófona: língua portuguesa da Galiza, não língua
galega. Esta é precisamente uma das causas de fazer-se [a Academia]. Nós
pensamos também fazer uma Academia Galega da Língua, simplesmente.
Quando se criou a AGAL, pense-se que é Associaçom Galega da Língua,
mas num primeiro momento considerou-se a possibilidade de chamá-la Associaçom
da Língua Galega, e já então se optou por não usar essa
denominação. Também Associaçom da Língua Galego-Portuguesa,
um pouco ambígua, porque para o mundo de língua portuguesa, língua
galego-portuguesa é a língua medieval, fica lá longe, como quem diz o latim.
De modo que se trata de não enganar mas todo o contrário: de criar no
mundo lusófono que, hoje estamos tão bombardeados por notícias que, a
primeira impressão é a que realmente nos leva a fazermos uma ideia. Então,
falar de língua galega é enganá-los, enganar o mundo lusófono. Então
temos que falar de língua portuguesa da Galiza. Nada perdemos com isso. Por ser
português não deixa de ser galego. Não temos que deixar de
usar “galego”, mas não
como denominação da língua em si. Com
efeito, é verdade que a R.A.G. tem um prestígio, por isso haveria que
levar para a frente esta iniciativa com sumo cuidado, sem ofender ninguém, sem
desprezar a R.A.G. que tem o seu mérito, mas é uma opção
claramente diferente, não cabe dúvida, e o de aguardar, acho que não
faz sentido. Eu já vou cansado de aguardar. Os anos passam e morremos. Eu creio
que não há esperança na R.A.G., não há esperança porque
não vejo... estiveram Carvalho Calero, Paz Andrade, quando se aprovou a
normativa. Marinhas, o mesmo Chão Espina, que era professor de português
e, quando se aprovou a normativa [de 1982] eu tinha algum trato com ele. Por
certo que o movimento reintegracionista conheceu a normativa antes de dar-se ao
público, porque me mandara a mim Chão Espina uma cópia. Ligou-me polo
telefone e estava muito irritado contra os directivos. Bem, todo esse sector,
que era pequeno dentro da R.A.G. já não está, e agora os membros
são muito agressivos contra a ideia de uma unidade linguística
galego-portuguesa. De modo que entendo ser um pouco utópico pensar que isso vai
mudar. A prova foi mesmo a reacção contra a última reforma [de 2003].
Num primeiro momento rejeitaram-na, e num segundo momento aprovou-se mas...
alguns académicos ainda a criticam hoje, de modo que a esperança, neste
sentido, é pouca. Xavier
Vilhar Trilho: Estou
muito de acordo com a ideia de Martinho. De uma Real...
não real, mas republicana Academia Galega da Língua Portuguesa e,
como contributo a essa ideia solicitaria uma reflexão sobre a sua
estrutura interna. Seria uma academia exclusivamente de filólogos, como deve
ser, sobretudo para ter esse prestígio no campo linguístico, ou podia ter duas
secções, uma de filólogos e outra de cientistas, não militantes
políticos, mas cientistas das ciências sociais especialistas no campo das
políticas linguísticas, a sociolinguística, a politologia, conhecedores da
problemática das políticas linguísticas que contribuíssem a completar o
aspecto linguístico. Claro,
isso tem o perigo de que no mundo académico, como as academias são
fundamentalmente da língua. Um dos problemas da R.A.G.
era não ser da língua, e haver pessoas que não eram filólogos
nem linguistas, mas, bom, como aqui há que fazer duas batalhas, a batalha linguística
e a da difusão política dessa ideia, acho interessante que houvesse
essas duas secções. Depois,
uma pequena reflexão sobre que outros nomes alternativos, que podiam ser,
por exemplo, para não pôr em contra o mundo académico e não
criar agora uma dinâmica de disputa entre duas academias, podia ser a de Seminário
de Estudos Lusófonos e Lusógrafos da Galiza ou semelhante, mas isso não
tem o prestígio nem a capacidade de síntese da Academia da Língua, ou
também o da Comissom Linguística da AGAL. Criar uma espécie de cousa
assim como Associação para a Unificação Linguística do
Galego e do Português, mas não pode ter a tradição e o
prestígio que tem o nome de Academia. Resposta
de Martinho Montero: Hoje
em dia as Academias da Língua são constituídas por pessoas que
trabalham os distintos aspectos da língua mas todas incluem outro tipo de gente
também, porque há arquitectos... Também a Academia da Língua actual,
nesse aspecto, está constituída como, em geral, a espanhola. A
verdade é que as academias, já não só a Academia das Ciências
de Lisboa, que não é propriamente da língua, mas mesmo a Academia
Francesa teve recentemente uma pequena reforma da ortografia, há poucos
anos. A Academia não é a que realiza a reforma, mas nomeia uma comissão
integrada por não académicos. Houve algum professor da universidade
tal... mas a Academia aprovou-na, de modo que funciona um pouco assim como uma
instituição que faz de cortina. Mas maioritariamente acho que convêm
pessoas que trabalhem sobre temas de língua. Luís
Fontenla: Bom,
a respeito do nome, ao que fez referência Freixeiro, o nome da instituição
e o nome da língua, penso que como essa Academia está pensada para trabalhar
com a lusofonia, para ser o referente na lusofonia é lógico que use o nome de
português da Galiza, português galego ou o que for. Terão de
analisar os próprios académicos se é mais adequado colocar o prórpio nome
dentro do título da academia. Academia
Galega de Letras ou o que for. Mas está claro que o nome mais comercial para
a lusofonia é «da Língua Portuguesa». Isso parece que é evidente.
Depois,
eu queria colocar só ideias que acabam de vir-me à mente, como um nome
que existe, que é a Comissão
do Acordo Ortográfico, e acho que esta Academia deveria tentar contactar ou
conseguir que essa Comissão acabe estando dentro da Academia. Isso seria
o lógico, porque para isso há um trabalho feito e haveria que conseguir
integrar isso de alguma maneira. Uma
ideia que coloco é que não sei por que tem que legalizar-se na Galiza.
Bom, não a tinha analisado, mas não sei se seria boa ideia,
talvez, legalizar também ou colocar a sede em Valença. Isso levantaria uma série
de barreiras e problemas que poderiam ter lugar ao ter que legalizar os
estatutos em português [na Galiza], ter que conseguir subsídios do
governo da Galiza... Eu sou partidário de analisar esta ideia, só isto. Resposta
de Martinho Montero: Bom,
em princípio, o que se deseja é que tenha a sua sede na Galiza. Na questão
da aprovação na Galiza há vários passos. De facto algum já está
dado. Há primeiro um passo de aprovação do nome, etc. e o ideal seria
que fosse na Galiza. Claro que se isso não for possível, haveria que
estudar a possibilidade de colocar a sua sede mesmo em Portugal. Penso que não
deveria haver problema porque, já digo, com esse nome de Academia Galega da
Língua Portuguesa, essa instituição não existe, porque mesmo
a Real Academia Galega não é da língua portuguesa, portanto não
pode sentir-se ofendida neste sentido, então penso que não deveria
haver problema. Isaac
Alonso Estraviz: No
ano oitenta e tal percorri vários ministérios em Madrid para criar a Academia
Galega da Língua, e em toda a parte denegaram porque, ainda que a outra era Academia
Gallega, para eles a Academia Galega era da língua, e podíamos criar
todo tipo de academias menos uma academia galega nesse sentido. Totalmente
descartado. Depois,
a respeito do outro tema, eu opino que podia ter uma sede em Portugal e outra na
Galiza, que seriam diferentes. O problema do local é discutir por discutir
porque, se for criada uma academia, eu cedo o meu piso para sede dessa Academia,
e mesmo a biblioteca, que acho ser melhor
do que a da R.A.G. Outros
problemas, na Espanha, querer criar uma Academia portuguesa, talvez teríamos
problemas com Portugal mas, do resto, nada. Ângelo
Cristóvão: Uma
breve intervenção: eu também empresto o meu andar. Resposta
de Martinho Montero: Então
melhor, temos uma em Santiago e outra em Ourense, de modo que podemos escolher. Alexandre
Banhos: Queria
indicar uns breves matizes, e depois contestou tão bem o Martinho que o
único que garanto é que antes do ano 2008 vai estar constituída. Luís
Gonçáles Blasco: A
mim resulta-me duro renunciar ao nome de galego para designar a nossa língua
porque, ademais, suponho que deve ser o nome histórico, suponho que quando a
gente começou a dar-lhe nome à língua romance, que seria o romance
galego; o português viria depois. Agora, deveria ao melhor produzir-se
alternativas, se o problema de galego-português existe, deveria chamar-se
academia galego-portuguesa da língua. Eu estou farto de ver livros que punham
«Traduit de l’Américain», do inglês americano. Começou-se
fazendo isto um pouco de brincadeira e depois, em livros sérios, como na
sociolinguística de Labov põe «traduit de l’Américain». Resposta
de Martinho Montero: Eu
dizia antes que para todos nós, renunciarmos à denominação de galego
parece renunciar a algo, mas se o pensarmos friamente, não é
renunciarmos a nada, como renunciamos se perdermos a língua. Então sim
perdemos muito. Da outra maneira, não há realmente... polo facto de ser
português não deixa de ser galega a língua. E o de galego-português
eu já dizia que, com efeito, usou-se muito no nosso âmbito reintegracionista
num primeiro momento, mas a experiência demonstra que, em geral, no mundo
lusófono essa expressão se entende no sentido de português
medieval. (Fim
do debate e da sessão) |
|
|